MoLoToV_cOcKtAiL

Faze/ Sê/ Faze a ti/ independe do imperativo/ afirma-te ou/ em linhas tortas e mal-traçadas/ escrevo-te.



Comments: Segunda-feira, Março 08, 2010

Toda carta de amor é ridícula
Walter Britto

Fui um dia triste
de céu nublado,
não importasse sua cor;

Fui um olhar perdido
em busca inútil
e cega do amor.

Fui verso bonito,
figura evidente
da esquecida paixão;

Fui um peito vazio,
fui o que não sou,
fui um homem são.

Se hoje escrevo mais versos
que sejam ridículos, bobos,
mas não, suplico à Fortuna,
não sejam em vão!

Renasce agora, Amor,
que o seu amante desadormeceu:
o poeta, rasgando meu peito
ao ver-te, desfez-se do breu.

Renasce agora, Amor,
felicidade voltou num sorriso!
Se a vida que vem é alegria,
contigo há de ser Paraíso!

postado por: WALTER GASPAR 8:59 PM



Comments: Quarta-feira, Outubro 14, 2009

Palavra aberta
Walter Britto

A palavra abre os braços
e dá as boas-vindas ao leitor:
"Bem-vindo! Delicie-se
com meus mundos.
Vem, pois é por você que existo
e em seus olhos e imaginação,
é lá que ganho vida."

A palavra não existe
se não mostrar suas três faces:
a do escritor, a do leitor
e o escrito, a forma;
Sem elas é apenas um rabisco
que uma folha adorna.

Toda palavra é triste
porque é poeta.
Toda palavra busca uma idéia inteira,
mas, qual poesia, a idéia foge,
e resta apenas impressão ligeira.

Pois idéia completa é vislumbre,
coisa passageira
que no poeta cumpre
sua missão derradeira:
a de dar o gosto e atiçar a alma
para que a vida queime qual fogueira.

postado por: WALTER GASPAR 12:15 AM



Comments: Terça-feira, Outubro 13, 2009

Poema do possível
Walter Britto

Se ela soubesse que a amo!
Meu coração bate em um engano
de que o nosso amor é,
quando ele ainda apenas pode ser.

Ah, se ele fosse verdade!
Em terra eu seria o mais feliz dos homens
nos céus, o mais feliz dos deuses
pois eu seria o amor e o amor seria eu.

Não deve o poeta apaixonado
escrever sobre algo, senão o amor:
é sua sina e seu sossego.

O poeta vive do que não é dito,
de sentimentos que não se pode escrever
e do sonho de um dia escrevê-los.

O amante vive da distância,
do toque que falta, do beijo que não há,
pois é o amor uma vontade de amar.

postado por: WALTER GASPAR 11:07 PM



Comments: Sábado, Outubro 10, 2009

Poema a terminar
Walter Britto Gaspar

Quero de tudo um pouco:
a sabedoria do mago
e a irreverência do louco

Quero de tudo um tanto:
o gostoso do riso
e a liberdade do pranto

Desejo a vida inteira
ser só como sou completo
fiel à minha maneira
de andar sem ter chão nem teto

O que quero não sei
e sou estranho a mim mesmo
me descubro sem lei
qual poesia que a esmo
vaga e aos versos se agarra

postado por: WALTER GASPAR 1:04 PM



Comments: Terça-feira, Junho 30, 2009

Nota
Acabei de ler "Sangue e Ouro", parte das "Crônicas Vampirescas" da Anne Rice. É fantástico! Há momentos em que a leitura é tão envolvente que você se sente dentro do mundo descrito pela autora, observando os acontecimentos se desenrolarem na história. Todas as personagens são envolventes e profundas, cada uma com suas idiossincrasias. É o máximo. Agora inicio "O Campadre de Ogum", do Jorge Amado.

postado por: WALTER GASPAR 11:40 AM



Comments: LULANÁTICOS
Walter Britto Gaspar

Agora há pouco me peguei sorrindo, pensando no Lula. Pode parecer estranha a afirmação, mas pensem bem, ele é um coroa enxuto, barbicha sensual... Opa! Brincadeira, eu quis dizer politicamente. Me senti satisfeito em tê-lo como presidente e com suas políticas sociais e econômicas para o nosso país. Aí, então, me perguntei se isso era apenas a mente isolada de um jovem alienado brasileiro ou se a nação compartilhava da minha opinião. Não sou o único!

No site do governo (será segura essa fonte?) encontrei uma reportagem do "Correio Braziliense" (o detalhe do "z" é muito estiloso) sobre a popularidade de Lula e de seu governo. Ora, qual não foi minha alegria ao deparar-me com os números: "73% dos entrevistados consideram o governo Lula “bom ou ótimo”. Um ano antes, esse contingente ficava em 51%. A aprovação pessoal do presidente também subiu muito. Pulou de 65% para 84%". Pois bem, não sou o único lunático (ou seria "lulanático"?) que aprova nosso barbudinho. Mas qual o motivo de vermos esse sujeito com tanta simpatia?

A minha aprovação vem do fato de que é confortável ter Lula como presidente. A economia vai bem, ou ia, até a crise. Esta, também, não abalou a imagem do invertebrado: logo tomou-se a inteligente medida de redução de impostos: desde automóveis até o pão estão mais baratos. Certo, a medida não provém da genialidade de Lula, sim de Guido Mantega e suas cabeças pensantes, mas quem tem a picuinha de desassociá-la da imagem do presidente? Afinal o ministério foi definido por ele. Seu governo é fruto de suas escolhas, assim como o nosso é fruto das nossas.

Além disso, há os programas "assistencialistas". Bolsa Família, Fome Zero etc. Alguns deles já existiam antes de entrar Inácio, porém ele -malandramente- os associou à sua própria imagem. Talvez uma jogada de "marketing" um tanto quanto suja, mas deu resultado: hoje aprovo Lula porque, além da economia estável e da satisfação com Guido e seus companheiros, sinto que um peso saiu de minhas costas. Não é mais tão verdadeiro pensar em como "eu estou aqui tão feliz e satisfeito enquanto tantos outros passam fome e perdem a infância no trabalho", pois sei que grande parte da população é assistida por esses programas. O ideal seriam, sim, reformas na base da economia e da estrutura social para a inclusão desses grupos, possibilitando-os alcançar independência e cidadania. Porém, essas medidas resolvem o problema momentaneamente e o prazo para a apresentação de soluções mais inteligentes ainda não se esgotou, elas ainda não estão saturadas.

Portanto, podemos ver que Lula venceu em dois campos essenciais para sua popularidade: economia e propaganda. Assim a classe média fica satisfeita, os ricos ficam satisfeitos, os pobres ficam satisfeitos e todos ficamos iludidos. Lula pode ser a mentira mais bem-sucedida da nossa história recente, desde o fim da ditadura. Mas, ei!, é a nossa mentira! E se ele começar a realmente importar-se bastante com a questão social, nossa ilusão comecará a tornar-se um pouco menos ilusória. Por isso creio que um(a) sucessor(a) (leia-se: Dilmão!) ao governo Lula vem bem a calhar. Sou brasileiro e nunca desistirei de acreditar na bondade nos olhos do nosso soberano.

postado por: WALTER GASPAR 11:28 AM



Comments: Sexta-feira, Maio 29, 2009

O CAPITAL
Todos os sistemas de organização sócio-política estão fadados aos mesmos defeitos, pois são compostos por seres humanos. Estes têm o mesmo cerne, uma gama de sentimentos que pode produzir diversas ações e reações. Os críticos do conceito de auto-regência do povo, de que “cada um é seu próprio governo”, muita vez se concentram em destacar o absurdo de um sistema que admita atitudes como roubo, assassinato e outros tipos de prejuízo que um homem pode causar a seu semelhante. No entanto, é necessário lembrar-lhes de que o próprio capitalismo, apesar de repudiar tais acontecimentos, os apresenta. Tudo o que um capitalista condena existe dentro do capitalismo. Não é possível afirmar com certeza, portanto, que tudo isso seria mais ou menos intenso em outra organização que não a capitalista.
Preferiria viver em uma sociedade que tivesse o avanço intelectual de perceber que o homem é uma dicotomia, que existe nele o assassino e o benfeitor; e que pudesse conviver com essa idéia. Uma sociedade em que cada indivíduo se conhece e tem capacidade e responsabilidade para se auto-reger. As anomalias do comportamento humano existirão enquanto o ser humano existir, mas reprimi-las não é uma solução perfeita. Toda repressão é falha e é burra e nasce da incapacidade de se estabelecer um diálogo com o outro ou consigo mesmo.

postado por: WALTER GASPAR 8:33 PM



Comments: Sexta-feira, Abril 10, 2009

Mesmo em momentos de agonia o homem é capaz de criar algo belo, pois é natureza e ela floresce em suas palavras e ações.

Stop
Walter Britto Gaspar

Olhos que chamam
Como chama a brasa
Os olhos, rasgando a escuridão

Silêncio marcado
No firme compasso
Da contemplação

Mãos que não tocam
Sorrisos que morrem
Antes que a vida os tivesse

Corpos que roçam corpos
Copos que tocam copos
O olhar não estremece

Olhos que tudo vêem
São o cárcere do ser
Que imagina a vida em vão

Que não vê que a vida é vida
Alegre de néscia e cega
E que os olhos, olhos são

postado por: WALTER GASPAR 11:33 AM



Comments: Segunda-feira, Abril 06, 2009

Cansei de ver sempre meus escritos nesse blog. Não sou o maior dos poetas, nenhum poeta é. A poetisa suprema que reina sobre todos nós é a vida, com suas palavras e não-palavras certeiras, criativas, cativantes e expressivas. E juntos, todos nós poetas tentamos em vão tornarmo-nos vida, o maior dos poetas. Portanto serei humilde - ou extremamente atrevido, por outra perspectiva - e juntarei a mim os que tanto admiro. Agora este não é mais um espaço de meu sentimento, mas um espaço do sentimento, da emoção e da vida. E que sua poesia reine eternamente.

Um poeta que sempre releio de cabo a rabá e que nunca me deixa de impressionar é Cacaso. Já me foi dito que algo do que escrevi é semelhante a seu estilo. Não tenho a ousadia de concordar explicitamente - a adoração de um ídolo perde o sentido se nos igualarmos a ele. Aí estão alguns dos que mais me emocionam e, quem sabe, a vocês também. Saudações.

Madrigal para um amor
Cacaso
(Antônio Carlos Ferreira de Brito)


"A maior pena que eu tenho,
punhal de prata,
não é de me ver morrendo,
mas de saber quem me mata."
(Cecília Meireles)


Luz da Noite Lis da Noite
meu destino é te adorar.

Serei cavalo marinho
quando a lua semi fátua
emergir de meu canteiro
e tu tiveres saído
em meus trajes de luar.

Serei concha privativa,
turmalina, carruagem,
Mas só se tu, Luz da Noite,
teu delírio nesta margem
já quiseres desaguar.

(Não te faças tão ingrata
meu bem! Quedo ferido
e meus olhos são cantatas
que suplicam não me mates
em adunco anzol de prata!)

E quanto nós nos amamos
em nossa vítrea viagem
de geada e de serragem
pelo meio continente!

Luz da Noite Lis da Noite
meu destino é te seguir.

Meu inábil clavicórdio
soluça pela raiz,
e já pareces tão farta
que nem sequer onde filtra
meu lado bom te conduz:
Minha amiga vou fremindo
embebido em tua luz. Rio, 1964.

táxi
Cacaso
(Antônio Carlos Ferreira de Brito)


O poeta passa de táxi em qualquer canto e lá vê
o amante da empregada doméstica sussurrar
em seu pescoço qualquer podridão deste universo.

Como será o amor das pessoas rudes?
O poeta não se conforma de não conhecer
todas as formas da delicadeza.

ah!
Cacaso
(Antônio Carlos Ferreira de Brito)


Ah se pelo menos o pensamento não sangrasse!
Ah se pelo menos o coração não tivesse memória!
Como seria menos linda e mais suave
minha história!

Amor amor
Cacaso
(Antônio Carlos Ferreira de Brito)


Quando o mar
quando o mar tem mais segredo
não é quando ele se agita
nem é quando é tempestade
nem é quando é ventania
quando o mar tem mais segredo
é quando é calmaria

quando o amor
quando o amor tem mais perigo
não é quando ele se arrisca
nem é quando ele se ausenta
nem quando eu me desespero
quando o amor tem mais perigo
é quando ele é sincero

postado por: WALTER GASPAR 5:05 PM



Comments: LIBERDADE!

Liberdade é um sentimento
Liberdade é uma sensação
Liberdade está num momento
Liberdade está numa ação

Ela não é coisa alguma
Que possa ser explicada
Ela é liberdade
Escrita, cantada ou falada

O estado livre do ser:
Uma capacidade? Uma concessão?
Uma necessidade pungente
Que torna em revolta os que não são?

Livre é a vida toda,
Desde a morte à concepção,
Com a felicidade por direito
E o sonho por obrigação.

Agora vê se acorda, homem,
Levanta, vai viver!
Quem sabe você não encontra
Numa pedra tropeçada
A essência do seu ser?

Walter Britto Gaspar

postado por: WALTER GASPAR 4:27 PM



Comments: Segunda-feira, Fevereiro 23, 2009

Insônia

A tristeza vem como um açoite cruel
rasgando minha carne em humilhação
dorme a meu lado um sono profundo
zombando da insônia maldita que tenho

Resisto à vontade de rastejar novamente
e sentir seu cheiro em uma roupa esquecida
os olhos fechados não páram a corrente
de imagens bonitas do que foi nossa vida

Voou o amor nas curvas alegres
de um vento cruel em sua leveza
sei que passa a saudade e a tristeza

Hoje é dor pensar no que houve
e no sonho do que poderia ter sido
mas o tempo sabe que basta
o que se foi, se foi e não será reerguido.

postado por: WALTER GASPAR 2:55 AM



Comments: Quinta-feira, Novembro 13, 2008

Um lugar chamado FREE!

tem gente que vê
tem gente que muda
tem gente que briga

tem gente que vai
tem gente que vem
tem gente que dá
tem gente que toma

tem quem ache que faz
o que faz porque quer
tem quem saiba

tem quem ache bom
que se deixe que faça
tem quem queira que prive

cada um faz o que faz
no tempo que é seu
-o tempo em que vive

eu sei o que faço
do tempo que é meu tempo
e penso que viver
é o que sei pra ser livre

Walter Britto

postado por: WALTER GASPAR 11:26 AM



Comments: Sexta-feira, Setembro 05, 2008

Do ser e de seu caos

Incerto. É isso o que é o ser: um amontoado de incerteza. Mesmo aqueles que não pensam na sua condição de existência carregam em si uma névoa inerente que lhes esconde a natureza real. A incerteza é poderosa; ela gera no homem impulsos que fazem ter sentido continuar vivendo. Curiosidade, medo da morte, depressão, euforia: conseqüências da incerteza do ser.
É como reticências: não se conhece o mistério que elas escondem. Há uma verdade que para aqueles três pontinhos lado a lado é óbvia, mas qualquer observador fica intrigado com o desconhecido que eles encerram. Na realidade, o homem sabe quem é. Sabe o que é e qual o seu papel, de onde veio, para onde vai, qual o sentido da vida, as respostas para todas as perguntas e o que o espera na próxima esquina. A questão é que os sentidos e o pensamento humano são impermeáveis a essa verdade. Ela se desnuda na frente dos olhos leitosos da ignorância e desperdiça sua sensualidade com uma espécie tão ligada às perguntas que não sente as respostas que lhe acariciam a pele.
Questionamentos são a base da mente humana. É isso o que faz os homens moverem-se: o questionamento, a busca por definições. Estas são uma ilusão, meramente um encaixe mau feito entre a verdade que habita o ser e a realidade que ele consegue enxergar. O que existe sabe que existe. As forças da natureza são familiares ao ser desde o seu nascimento até a morte, ele as sabe. E o nascimento, e a morte, não deixam de ser forças da natureza. São conhecidas. São inerentes à existência. São parte de nós.
Aceitar o repente do nascimento e o da morte, a voracidade das verdades que habitam aquela área reprimida da consciência, é essencial. Aceitar a natureza incontrolável e incompreensível da vida é necessário. Afinal, ela é para ser vivida, não para ser pensada. O pensamento é só parte – diminuta – dela.

Walter britto

postado por: WALTER GASPAR 5:12 AM



Comments: Quase

Quase vivo, quase morto
No meio do mundo
Quase vivo, quase morro
Debaixo da chuva
Eu sou mais bonito

Afoguetando para o alto
A nuvem zumbe
O céu se some súbito, sagaz
A jovem nua já se faz
Vestida do negrume

Perfurando a lâmina do véu
O topo do mundo
Acima do céu se desfaz
A terra, o ranço
A vida-vapor vai atrás

Alumia alumia existência vazia
Agoniza contorce vomita
Curte rasga cospe explode
Alumia alumia esquisita

Quase vivo, quase morto
No meio do mundo
Quase vivo, quase morro

Debaixo da chuva
Eu sou mais bonito
Debaixo da chuva
Eu sou mais bonito
Debaixo da chuva
Eu sou mais bonito

Walter britto

postado por: WALTER GASPAR 4:54 AM



Comments: Quinta-feira, Junho 26, 2008

Não importa a vida
a morte
o medo da morte

a poesia que invade a alma
faz valer
a incerteza do ser

Walter Britto

postado por: WALTER GASPAR 4:26 PM




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